sexta-feira, 18 de maio de 2012

Filosofia da Educação

A filosofia analítica da educação, seguindo a caracterização apresentada nos parágrafos anteriores, não discorre sobre o fenômeno da educação, como tal, mas sim sobre o que tem sido dito acerca desse fenômeno (por exemplo, por sociólogos da educação, psicólogos da educação, ou por qualquer pessoa que reflita sobre a educação). Não resta a menor dúvida de que uma das primeiras e mais importantes tarefas da filosofia da educação, a partir da caracterização da tarefa da filosofia sugerida acima, é a análise e clarificação do conceito de "educação". Fala-se muito em educação. "Educação é direito de todos", "educação é investimento", "a educação é o caminho do desenvolvimento", etc. Mas o que realmente será essa educação, em que tanto se fala? Será que todos os que falam sobre a educação usam o termo no mesmo sentido, com idêntico significado? Dificilmente. É a educação transmissão de conhecimentos? É a educação preparação para a cidadania democrática responsável? É a educação o desenvolvimento das potencialidades do indivíduo? É a educação adestramento para o exercício de uma profissão? As várias respostas, em sua maioria conflitantes, dadas a essas perguntas são indicativas da adoção de conceitos de educação diferentes, muitas vezes incompatíveis, por parte dos que se preocupam em responder a elas. Este fato, por si só, já aponta para a necessidade de uma reflexão sistemática e profunda sobre o que seja a educação, isto é, sobre o conceito de educação.
Assim que se começa a fazer isso, porém, percebe-se que a tarefa de clarificação e elucidação do conceito de educação é extremamente complexa e difícil. Ela envolve não só o esclarecimento das relações existentes ou não entre educação e conhecimento, educação e democracia, educação e as chamadas potencialidades do indivíduo, educação e profissionalização, etc. Envolve, também, o esclarecimento das relações que porventura possam existir entre o processo educacional e outros processos que, à primeira vista, parecem ser seus parentes chegados: doutrinação, socialização, aculturação, treinamento, condicionamento, etc. Uma análise que tenha por objetivo o esclarecimento do sentido dessas noções, dos critérios de sua aplicação, das suas implicações, e da sua relação entre si e com outros conceitos educacionais é tarefa da filosofia da educação e é condição necessária para a elucidação do conceito de educação.

“Teoria dos dois mundos” defendida por Platão

Platão cria dois mundos (idéia originária, em parte, de Parmênides), um chamado Mundo das Idéias, onde a idéia das coisas é pura e perfeita (segundo interpretou Aristóteles, aluno de Platão, essas idéias eram os conceitos das coisas), e outro que chama de Mundo Sensível, onde os sentidos apreendem as coisas apenas em parte, turvando as idéias puras das coisas.
Para Platão há o Mundo das Idéias, que segundo Popper, possui um aspecto de religiosidade, de realidades absolutas. Não está aqui atribuindo a existência de deuses, nem nada associado a uma consciência absoluta.
Ele é o único dos mundos que pode ser considerado como real, pois abriga em sua essência, as Idéias objetivadas e visíveis à intuição intelectual. Para Platão, o que existe neste mundo é tão real quanto o que existe na nossa chamada realidade (sensível).
O Mundo da Sensibilidade permanece com sua caraterística habitual, a de comportar as “cópias” do Mundo
Inteligível. 
O “Mundo 3” de Platão, se é que se pode dar esta definição, é caracterizado pela alma humana, que está localizada entre o corpo físico e o Mundo Inteligível. É ela que vislumbra das Idéias e as perde quando toma um corpo, obrigando-o a recordar de tudo para aprender (reminiscência). 
Esta forma de “aprendizagem” demonstra, aos olhos de Popper, uma queda do homem, pois ele não constrói nada, apenas retoma algo que já possuía. Popper aplica uma outra concepção no que diz respeito ao conhecimento humano. Enquanto Platão o atribui à reminiscência, Popper remete-o à ascensão, ou seja, o homem evolui à medida que constrói o seu próprio conhecimento.
Popper qualifica o seu mundo de uma maneira diferente da atribuída por Platão. O “Mundo das Idéias” de Platão é um terceiro mundo adicionado ao material e à mente. Constitui um mundo diferente dos corpos materiais ou das experiências conscientes e inconscientes da mente (intelligibilia), um mundo sui generis.
Já para Popper, o seu terceiro mundo é formado não de conceitos puros e indubitáveis, mas de conceitos, argumentos e teorias passíveis de discussão e mudanças. Os problemas não estão definidos. Podem vir a ser transformados em soluções ou não, dependendo da forma com que se trabalha nesta busca por respostas. 
Em suma, o Mundo 3 de Popper é um mundo totalmente humano, criado para o seu próprio uso, à medida em que for necessário. Já o Mundo 3 de Platão representa uma esfera intermediária entre o homem e a esfera em que se localizam as Idéias puras. Em outras palavras, não é algo puramente do homem, enquanto ser presente neste mundo.

http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/lable/revistametanoia_material_revisto/revista05/texto01_teoriadosmundos_platao_popper.pdf

domingo, 6 de maio de 2012

O estilo “pedagogizador

O estilo “pedagogizador” limita-se a instruir, reproduzir conhecimento, aplicar  técnicas ao aluno, tratado como objeto a ser conhecido e treinado. Este é o papel da escola na sociedade disciplinar de que fala Foucault. Já Habermas propõe um modelo calcado na intersubjetividade, mais apto a conduzir para a educação, entendida num sentido construtor de subjetividades emancipadas, criativas, autônomas. Este é chamado “modelo educacional”. Educar é produzir sujeitos capazes de linguagem e de ação, calcadas em razões e argumentações justificadas, legítimas, exigências fundamentais para atender às demandas sociais, culturais, econômicas e éticas da modernidade.

No Brasil, os desafios são imensos, porém contornáveis mediante de políticas educacionais adequadas, cujo maior obstáculo é a escola “pedagogizadora”. Há certas transformações sociais que só ocorrerão por meio da educação construtora de sujeitos capazes e não apenas capacitados, autônomos e não apenas treinados, qualificados para a ação e não apenas para o exercício.

O enorme desafio: como despedagogizar a escola? Deve-se começar por criticar o discurso pedagogizador da eficiência, discurso típico da sociedade técnico-científica, em que o próprio desejo de emancipação foi obliterado em proveito do domínio técnico, cego para a responsabilidade social e política da educação. O modo como somos educados, isto é, treinados, tem tido resultados catastróficos. Pensemos, por exemplo, na devastação da natureza, na ausência de políticas científicas voltadas para pesquisa de produtos adaptados às condições de mercados de 3º mundo, na completa ausência de investimento num desenvolvimento cujo estilo pudesse dar conta das diferenças sociais, e não ampliá-las como vem acontecendo. A paideia foi definitivamente varrida do mapa.

É preciso pensar logo em propostas capazes de vencer esses problemas pela educação e pensar, ao mesmo tempo, num modo de educar que,  sem perder de vista o papel da escola como lugar de aprendizagem (profissões, ofícios, habilidades, excelência de ensino completo) possa fazer da escola/ educação a plataforma de mudanças, e a primeira mudança decorrerá de análises históricas de nossa realidade e pensar no tipo de saber que desejamos para nós. Evitar que o discurso técnico penetre o desejo dos homens de pensar com sua própria cabeça, andar com seu próprios pés, ou seja, aquilo que Kant mostrou ser imprescindível: homens educados, livres de tutela, exercendo o discurso publicamente, portanto, criteriosamente. É o que Foucault chamou de atos éticos de liberdade, num novo tipo de subjetividade, naquilo que Habermas chamou de homens capazes de linguagem e de ação.

O paradigma da intersubjetividade, no qual sujeitos trocam atos de fala entre si e visam ao mundo sob a perspectiva objetivante, que não se reduz nem ao significado, nem à atribuição de valor de verdade às proposições, mas é fruto de uma espécie de negociação bem fundamentada, ou seja, a argumentação.

Há um mundo visado objetivamente; um mundo social de normas no qual expectativas de comportamento são cumpridas; um mundo das vivências pessoais. Estes mundos só podem ser integrados pela ação comunicativa, a única que supõe entendimento. Diz Habermas Só o conceito de ação comunicativa pressupõe a linguagem como um meio de entendimento (...) em que falantes e ouvintes se referem, desde o horizonte pré- interpretado representado pelo mundo da vida, simultaneamente a algo no mundo objetivo, social e subjetivo para negociar definições da situação que possam ser compartilhadas por todos (1987, 138).
 
A prática da intersubjetividade, produtora de sujeitos capazes de linguagem e de ação, com opinião e vontade formadas de modo a possibilitar liberdade comunicativa, calcada em razões e argumentações justificadas, legítimas, são os pressupostos de qualquer sociedade democrática, essenciais à educação.

 As práticas educacionais, ao produzirem indivíduos mais livres, autônomos, e não autômatos, capazes de avaliar seus atos à luz dos acontecimentos, à luz das normas sociais legítimas e legitimadas em processos jurídicos, olíticos, usando suas próprias cabeças, e tendo propósitos sinceros e abertos à crítica, são  fundamentais para as práticas educacionais. E estas representam o solo de germinação da ação comunicativa. A importância extrema da educação decorre de ela servir como anteparo à tecnicização, à colonização do

mundo da vida pelo sistema, mas também deve servir para intervir no meio dinheiro e poder, de modo a enfrentá-los pela democracia e pelo direito.

 Democracia e direito são meios legítimos, porque passaram pela discussão, pela racionalidade comunicativa. E esta recebe seu maior impulso e desenvolvimento pela educação, se e apenas se, nela houver compromisso com as esferas sociais e culturais. As colunas em que a ação comunicativa se sustenta são:

 a) cultura requerendo trocas comunicativas calcadas em conhecimento das situações, portanto, pessoas bem informadas, preparadas;

 b) normas sociais em que ética e direito funcionem e sejam respeitados;

 c) personalidades educadas, que possam pensar com sua própria cabeça e andar com suas próprias pernas, isto é, emancipadas e autônomas, o que se obtém pela educação e não pela pedagogização.


Filosofia Moderna

A filosofia da idade moderna nasceu graças aos trabalhos dos protagonistas do renascimento cultural e científico dos séculos XIV e XV entre eles Nicolau Copérnico, Leonardo da Vinci, e dos esforços de cientistas e pensadores como Galileu Galilei, Francis Bacon, René Descartes e Emanuel Kant nos séculos seguintes e tem entre suas características:

a) O Racionalismo

A filosofia moderna propriamente falando iniciou-se com a teoria do conhecimento do René Descartes. Conhecido como pai da filosofia moderna, parece que ele levou muito a sério as palavras do Leonardo Da Vinci que diz "Quem pouca pensa, muito erra."!  Na Idade Média, na sociedade e na política a Palavra de Deus, considerada fonte única do conhecimento absoluto, foi interpretada pela igreja que dominava todos os aspectos da vida. O renascimento trouxe uma ênfase renovada no desenvolvimento científico e na capacidade humana e a necessidade de uma nova definição do ser humano e seu lugar no mundo. Na modernidade a chamada Idade da Razão então, surgiu à necessidade de redefinir os paradigmas, Descartes na declaração, "penso logo existo", descrito pelo Prof. Wesley Dourado na palestra "Aspectos Gerais da Filosofia Moderna"  sobre as como um "ponto arquemédico [...] a verdade inicial da qual se poderá constituir outras verdades" iniciou esse processo. Ele declara que o homem, ser racional por natureza, tem a capacidade de alcançar o conhecimento e mais que isso, sua existência é definida pelo ato de pensar.



Quando Leonardo Da Vinci afirma que "A sabedoria é filha da experiência" (ABBAGNANO, §388) ele de fato resume em poucas palavras a crença dos empiristas ingleses cujo trabalho antecedeu por quase um século. Francis Bacon, John Locke, David Hume e outros pensadores contra posição aos racionalistas do continente europeu desenvolveram e propagavam o raciocínio experimental, ou seja, a teoria de que o único caminho pelo qual o homem pode chegar ao conhecimento é através da experiência sensível (empírica). Marlene Chauí explica que Francis Bacon "propõe a instauração de um método, definido como modo seguro de 'aplicar a razão à experiência', isto é, de aplicar o pensamento lógico aos dados oferecidos pelo conhecimento sensível".





O processo de racionalização, característico da Modernidade, que começara com os renascentistas e com os cientistas, e passara por Descartes e pelos empiristas, podia agora, ser compreendido por Kant como um processo que representava o curso natural da evolução da sociedade. Finalmente o ser o humano estava apto para raciocinar sobre a própria razão.

Leonardo da Vinci via nas formas perfeitas da matemática uma maneira de ilustrar a perfeição do corpo humano (o homem vitruviano) e assim tomou o curso da teoria da perfectibilidade. Kant, por sua vez, via na possibilidade do homem chegar à perfeição um processo natural de desenvolvimento rumo ao esclarecimento (Aufklãrung), um processo evolução pela qual o homem atinge sua maioridade, processo que depende não de condições externas, mas, na vontade do homem, só não tem condições de alcançar essa independência os preguiçosos que escolhem permanecer na minoridade sob a tutela intelectual de terceiros.


Comclusão


Embora represente um retorno do pensamento racional à supremacia, e, em particular um novo olhar ao pensamento platônico, a filosofia moderna em declarar que o conhecimento é acessível e alcançável a todos e não faz separação entre o mundo sensível das coisas e o mundo intangível das ideias. Na antiguidade Platão e Aristóteles visaram à formação de uma sociedade perfeita e feliz através da ação conjunta em prol do bem comum (ação política) na polis. Os habitantes da pólis foram considerados homens esclarecidos, esse esclarecimento foi reservado apenas os cidadãos gregos, não foram incluídos as mulheres, as classes trabalhadoras e muito menos os escravos. A filosofia moderna e o iluminismo não restringiam o conhecimento a uma elite social, religiosa ou intelectual, o colocaram ao alcance de todos que desejavam sair da minoridade, da dependência do tutelar de outros. A sociedade moderna (perfeita) seria o resultado do esclarecimento de todos.

A maiêutica socrática


A maiêutica socrática ocupa até hoje um lugar incontestável na reflexão filosófica sobre métodos de ensino, uma vez que responde, de uma perspectiva platônica e mesmo neoplatônica, ao paradoxo do conhecimento colocado pelos sofistas: como é possível conhecermos algo do qual não sabemos nada? Para esses professores itinerantes, não haveria um conhecimento absoluto a ser transmitido, todo o saber possível se reduz a meras opiniões refutáveis por hábeis argumentos. Para combater o relativismo presente nos argumentos dos sofistas, Platão recorre a mitologias e entidades metafísicas, esboçando em um de seus diálogos de transição, Mênon, pela primeira vez, a sua teoria da reminiscência, ou seja, a idéia de que a alma é imortal e que teria contemplado todas as verdades possíveis em outras encarnações. Para ter acesso a estes conhecimentos verdadeiros, esquecidos pelo simples mortal, seria necessário um trabalho de rememoração: através de perguntas e respostas submetidas às leis da dialética, o discípulo poderia ser conduzido, sim, a uma realidade objetiva, absoluta e perene.

Não só no diálogo Mênon, como em outros de Platão, o personagem de Sócrates, pressupõe a  existência de essências por trás das múltiplas manifestações de nossos conceitos, como os de virtude, justiça, temperança, coragem, etc., cujos significados precisos e exatos são investigados por ele através de conjecturas e refutações, sempre partindo das crenças iniciais de seus interlocutores para em seguida obrigá-los a reformulá-las, passo a passo, com o objetivo de irem aproximando-se de seus significados essenciais. Em Mênon, para demonstrar a possibilidade efetiva do acesso a um verdadeiro conhecimento recorre a um diálogo entre Sócrates e um escravo de Mênon, que nunca havia aprendido geometria antes, mas que, não obstante, vai sendo conduzido paulatinamente por Sócrates até deduzir “por si só” o teorema de Pitágoras. Sucintamente, eis como isto ocorre: Sócrates inicia desenhando um quadrado no chão, perguntando em seguida ao escravo, qual seria o tamanho do lado de um quadrado cuja área fosse o dobro do quadrado inicial. Sempre partindo das respostas convictas do escravo, Sócrates vai reformulando-as, introduzindo novas figuras, até que, já no final do intenso interrogatório o escravo, já exausto, desenhado por Sócrates um quadrado que satisfaz as condições do problema matemático. O lado desta última figura tem como medida a hipotenusa do triângulo retângulo contido no quadrado inicial, configurando-se, assim, uma das possíveis demonstrações geométricas do já conhecido teorema de Pitágoras. Deste modo, Platão demonstra concomitantemente a possibilidade de se alcançar um conhecimento absoluto (como eram consideradas as verdades matemáticas), e, por conseguinte, irrefutável, bastando para isso a aplicação de um método que conduza à rememoração de saberes já contemplados pela alma do escravo. Conclui neste diálogo que “ignorar é ter esquecido”, e “aprender é recordar” essências existentes a priori em um lugar celestial. 


Criticismo Kantiano

Kant concebe e escrever suas três críticas como preparação ou "propedêutica" para estas questões:

A Crítica da razão pura (primeira edição de 1781, segunda edição ampliada em 1787), a Crítica da razão prática1 (1788) e;
Crítica da faculdade de julgar (1790). Deve ser observado que, assim como as duas primeiras críticas se coadunam perfeitamente com as duas primeiras questões mencionadas,
a Crítica da faculdade de julgar não se encaixa, de todo, com a pergunta "que me é permitido esperar?", já que esta inclui coisas que Kant levanta em seus escritos sobre religião (por exemplo, A religião nos limites da simples razão, 1793) e filosofia da história (por exemplo, Ideia de uma historia universal de um ponto de vista cosmopolita (1784), Resposta à pergunta: que é a Ilustração? (1784), e Rumo à paz perpétua (1795, segunda edição ampliada em 1796).

Em seu projeto de um sistema filosófico, Kant inclui outro conceito legítimo de metafísica": a busca dos princípios metafísicos necessariamente pressupostos nos campos da natureza e "dos costumes". Para cada um, escreve obras Princípios metafísicos da ciência natural (1786), Metafísica dos costumes (1797) e a importantíssima e basilar Fundamentação da metafísica dos costumes (1785).


Racionalismo e Empirismo

Renè Descartes
Quando pensamos na palavra Racionalismo, pensamos imediatamente em alguma coisa que fale de Razão. Será que tem alguma coisa a ver? Opa..., tem! O Racionalismo é a concepção que afirma que a razão é a unica faculdade capaz de propriciar conhecimento adequado da realidade. Descartes pode ser considerado o representante ilustre do racionalismo.

Como havíamos visto anteriormente, Copérnico e Galileu haviam inaugurado uma nova maneira de pensar a respeito da ciência que colocou de cabeça para baixo todo o sistema aristotélico vigente desde sempre e que tinha um caráter geocêntrico, Descartes defendeu essa nova maneira de pensar.

Descartes pôs em dúvida todo conhecimento que havia recebido até então, mas não queria duvidar como os céticos, ou seja, duvidar por duvidar, sem saber duvidar, nosso filósofo queria um Método para orientar seu espírito nesse percurso...humm, mas qual? Descartes percebe que algumas verdades são indiscutivéis, como a matemática, por exemplo, sendo assim, o método matemático foi o escolhido por ele como instrumento de auxílio à razão.

Os racionalistas, assim como Descartes, acreditavam num conhecimento A priori (partindo daquilo que vem antes), anterior à experiência. Princípios que são indiscutiveis são A priori, como, por exemplo, o princípio da não-contradição: "A não pode ser Não-A" ou "O quadrado não pode ter três lados" ou ainda, "A soma dos ângulos de um triângulo é de 180°". Texto retirado do site:
O Empirismo (Francis Bacon, John Locke, David Hume)
O ponto de partida da reflexão humana está em considerar que todo conhecimento que se refere ao mundo começaria com a experiência, fundando-se na percepção. Segundos os pensadores dessa corrente que a mente seria, originalmente, um "quadro em branco", sobre o qual é gravado o conhecimento, cuja base é a sensação. Ou seja, todas as pessoas, ao nascer, o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressão nenhuma, sem conhecimento algum. Todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.O empirismo é descrito-caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento. O empirismo causou uma grande revolução na ciência, pois graças à valorização das experiências e do conhecimento científico, o homem passou a buscar resultados práticos, buscando o domínio da natureza. A partir do empirismo surgiu a metodologia científica.
Os empiristas dizem que as sensações se reúnem e formam uma percepção; ou seja, percebemos uma única coisa ou um único objeto que nos chegou por meio de várias e diferentes sensações. Assim, vejo uma cor vermelha e uma forma arredondada, aspiro um perfume adocicado, sinto a maciez e digo:
“Percebo uma rosa”. A “rosa” é o resultado da reunião de várias sensações diferentes num único  objeto de percepção.
As percepções, por sua vez, se combinam ou se associam. A associação pode dar-se por três motivos: por semelhança, por proximidade ou contigüidade espacial e por sucessão temporal. A causa da associação das percepções é a repetição. Ou seja, de tanto algumas sensações se repetirem por semelhança, ou de tanto se repetirem no mesmo espaço ou próximas umas das outras, ou, enfim, de tanto se repetirem sucessivamente no tempo, criamos o hábito de associá-las.
Essas associações são as idéias. As idéias, trazidas pela experiência, isto é, pela sensação, pela percepção e pelo hábito, são levadas à memória e, de lá, a razão as apanha para formar os pensamentos.
Problemas do empirismo
O empirismo, por sua vez, se defronta com um problema insolúvel. Se as ciências são apenas hábitos psicológicos de associar percepções e idéias por semelhança e diferença, bem como por contigüidade espacial ou sucessão temporal, então as ciências não possuem verdade alguma, não explicam realidade alguma, não alcançam os objetos e não possuem nenhuma objetividade.

A ciência, mero hábito psicológico ou subjetivo, torna-se afinal uma ilusão, e a realidade tal como é em si mesma (isto é, a realidade objetiva) jamais poderá ser conhecida por nossa razão. Basta, por exemplo, que um belo dia eu ponha um líquido no fogo e, em lugar de vê -lo ferver e aumentar de volume, eu o veja gelar e diminuir de volume, para que toda a ciência desapareça, já que ela depende da repetição, da freqüência, do hábito de sempre percebermos uma certa sucessão de fatos à qual, também por hábito, demos o nome de princípio da causalidade. Assim, do lado do empirismo, o problema colocado é o da impossibilidade do conhecimento objetivo da realidade.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Platão e Aristóteles

 Platão acentua a necessidade de desvendar as coisas em si, as verdades necessárias, os conceitos imutáveis, que podem ser colocados justificadamente na base das nossas cadeias de explicação do mundo. Essas coisas em si não são observáveis no mundo físico, mas sem elas não podemos dar sentido às nossas próprias experiências.

Platão admite a existência de dois tipos de objetos igualmente reais: os visíveis e os invisíveis, uns captados pelos sentidos, outros percebidos apenas pela razão. Com isso, ele conseguiu fazer uma aproximação entre teorias de Heráclito e Parmênides. Tudo muda, tudo flui, mas apenas no mundo sensível. No mundo das coisas invisíveis, tudo é eterno, nada muda, tudo permanece.

Essas coisas invisíveis são as idéias, seres incorpóreos que somente podem ser captados pela nossa capacidade de raciocínio. O que é um quadrado? O que é a relação de anterioridade? De causa e conseqüência? O que é a beleza ou a verdade? No campo do direito, o que são a validade e a justiça?
Toda essa construção é bastante engenhosa. Foi Platão que primeiramente tentou - de forma racional - explicar o mundo físico a partir de um mundo metafísico. Para alguns, essa idéia pode parecer absurda a primeira vista, mas a colocação platônica ainda guarda uma força imensa: ou admitimos a estranha existência das idéias absolutas (de justiça, verdade e validade), ou admitimos que não faz sentido algum tratar da justiça dos homens ou da validade das normas.

Por mais que seja difícil sustentar uma metafísica que não conta (nem pode contar) com evidências empíricas, é somente a partir dela que podemos falar de direitos universais ou de verdade objetiva. Creio que a intuição platônica é correta e que não podemos escapar da metafísica sem perder junto o significado dos fenômenos. Nossa condição humana é tal que a nossa racionalidade nos condena à metafísica.

Mas não devemos perder de vista que, para Platão, a metafísica não é a ilusão, mas a luz. O conhecimento metafísico é que nos liberta das sombras da caverna, pois é ele que nos esclarece as estruturas universais do mundo.
O artista renascentista italiano Rafael Sanzio (1483-1520) foi discípulo de Perugino e contemporâneo de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Fra Bartolommeo. O afresco Escola de Atenas é uma das suas mais admiradas obras, pintado a pedido do Papa Júlio II, no salão de sua biblioteca particular, no Vaticano. Na Escola de Atenas Rafael dispôs figuras de sábios de diferentes épocas como se fossem colegas de uma mesma academia. Na composição dos personagens destaca-se Platão, segurando sua obra Timaeus, e apontando sua mão direita para cima, talvez referindo-se às causas de todas as coisas. Segundo Fowler [3], pág. ii, o título original do afresco era Causarum Cognitio, e somente após o século XVII passou-se a usar o nome popular Escola de Atenas.
Platão era um mestre da linguagem literária e da construção de alegorias. Os seus livros tinham uma estrutura narrativa, pois ele escrevia na forma de diálogos, normalmente protagonizados por Sócrates, que foi o seu mestre.
Já os escritos de Aristóteles são grandes compilações das aulas que ele proferiu em sua escola (o Liceu), quando voltou a Atenas, com cerca de 50 anos de idade. Embora essas anotações muitas vezes não formem um discurso linear, elas se tratam da primeira grande tentativa de sistematização do conhecimento.

Mas a grande diferença entre Platão e Aristóteles não estava apenas no estilo da escrita, mas em suas linhas de interesses. Platão era um estudioso da matemática, e sua capacidade de abstração permitiu que ele formulasse os conceitos metafísicos que constituem o seu maior legado. Já Aristóteles era concentrado no mundo empírico, nos dados da experiência. Diversamente de seu mestre Platão, ele foi um grande naturalista, um conhecedor dos fenômenos físicos, com interesses que hoje seriam entendidos como científicos, e não filosóficos. Essa clássica distinção de perspectivas tem seu retrato mais célebre no quadro "A escola de Atenas", de Rafael.

A segunda diferenciação é entre ato e potência. Todo homem - assim como todo objeto - tem uma série de potencialidades. Qual a diferença entre um cego e um homem de olhos fechados? O primeiro não tem o sentido da visão, enquanto o segundo apenas não o exerce. Uma muda de feijão é feijão em potência - ela tem a possibilidade de gerar feijões, mas o exercício dessa possibilidade depende de algumas condições. Apenas quando gerar a semente ela será feijão em ato.

Esse tipo de distinção entre as sensibilidades permanece sendo uma boa chave de compreensão. Pensemos em um problema jurídico, como a definição do que é o interesse público. Uma aproximação possível seria buscar os diferentes ramos do direito que tratam do interesse público, para construir com base nessas observações particulares um conceito geral. Essa aproximação, que passa da análise de fatos individuais e conclui pela formulação de categorias gerais, é o procedimento indutivo.

Essa é a aproximação tipicamente aristotélica, que um platônico certamente sentiria como limitada. Ocorre que, para buscar o que é interesse público em cada ramo do direito, precisamos partir de um conceito anterior acerca do que seja interesse público. Sem um conceito prévio, não podemos identificar no mundo as suas ocorrências. Assim, um pensador platônico tende a partir de um esclarecimento do que é o interesse público em si, para compreender as decorrências necessárias desse conceito. Com isso, há um primado do pensamento dedutivo, que parte de certas concepções gerais e abstratas, para extrair delas as suas conseqüências particulares.

Assim, existe uma forte possibilidade de que os platônicos acusem os aristotélicos de certas ingenuidades conceituais e de generalizações indevidas, enquanto os aristotélicos tendem a acusar os platônicos de exageros no idealismo e na abstração.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ontologia: O que é, conceito e definição


Ontologia significa o conhecimento do ser, e é um termo de origem grega. Ontologia reproduz a natureza do ser, da existência dos entes, da realidade e das questões metafísicas em geral.

A ontologia é uma parte da filosofia, trata do ser concebido que tem uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres. Para a ontologia, qualquer coisa que existe é percebida apenas como algo que é nada mais do que isso, por isso ela é fundamental para muitos ramos da filosofia.
A ontologia pode ter se originado na Grécia antiga, porém os primeiros registros da palavra ontologia tiveram sua forma na língua latina em 1606.

"O ser e o nada é um tratado filosófico de 1943 escrito por Jean-Paul Sartre que é tido como marco para o início do crescimento do existencialismo no século XX.
A palavra ontologia também é usada na Ciência da Computação e Ciência da Informação, e significa um modelo de dados que representa um conjunto de conceitos dentro de um domínio, e os relacionamentos entre estes domínios. A ontologia é, pois utilizada para fazer inferências sobre os objetos do domínio.
Ontologias são utilizadas em web semântica, em engenharia de software, em inteligência artificial e arquitetura da informação sendo uma forma de representação de conhecimento sobre o mundo.

Um exame das relações entre a fenomenologia e a ontologia de Merleau-Ponty, fundamentais para a reflexão estética contemporânea, destacando a pintura e a literatura. http://artref.com.br/index.php/noticias/view/924/cursos


Mito, definição

Segundo Mircea Eliade, a tentativa de definir mito é a seguinte, “o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares....o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...”
O mito só fala daquilo que realmente aconteceu do que se manifestou, sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua actividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural nomundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado(sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje.

Ainda segundo Mircea Eliade, “o mito é considerado como uma história sagrada, e portanto uma história verdadeira, porque se refere sempre a realidades. O mito cosmogónico é verdadeiro porque a existência do mundo está aí para o provar, o mito da origem da morte é também verdadeiro porque a mortalidade do homem prova-o...e pelo facto de o mito relatar as gestas dos seres sobrenaturais e manifestações dos seus poderes sagrados, ele torna-se o modelo exemplar de todas as actividades humanas significativas”.

Mircea Eliade, Aspectos do Mito, pág.13
http://psicoforum.br.tripod.com/index/artigos/mito1.htm

O mito é o nada que é tudo

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo –

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo

Este que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos braços.

Por não ter vindo foi vindo

E nos creou

Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá-la decorre

De nada, morre.

(Fernando Pessoa )

Mito, arte, realidade


O mito é o nada que é tudo, diz o primeiro verso do poema dedicado a Ulisses por Fernando Pessoa e impresso no único livro que o poeta viu publicado em vida, Mensagem – o mesmo onde se lê a mais conhecida passagem lembrando que tudo vale a pena se a alma não é pequena. O mito é uma forma do sentido. Uma das primeiras formas do primeiro sentido, da primeira grande narrativa que o homem se deu. A definição aristotélica do homem como um animal político é apressada ou secundária (ou nunca foi bem entendida). O homem é, antes de mais nada, um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. Um animal que se conta várias histórias e a história da política é apenas uma entre elas e não a mais importante.” Estas são as palavras com que o curador do Masp, Roberto Teixeira Coelho, apresenta a exposição A arte do Mito.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Filosofia da vida e filosofia - diferenças

Filosofia  pode ser chamada de a “filosofia de cada indivíduo”, da maneira como cada um procede diante dos fatos vivenciados no cotidiano, e nada além disso. A filosofia é, portanto, uma atitude reflexiva. A reflexão  filosófica coloca questões para o homem a partir da sua raiz, da sua origem, quando o pensamento busca conhecer-se  como pensamento. A filosofia compreendida como Marx falava, pode ser um instrumento para mudar as condições de vida dos seres humanos.


A “filosofia de vida” possibilita ao homem se orientar no meio em que vive. Porém, por seu caráter espontâneo, assistemático, ela não tem nada a ver com a filosofia enquanto sistema organizado de pensamento. Apesar disso, a “filosofia de vida” também parte da realidade com o intuito de operar sobre ela: a realidade da vida. Neste sentido, todos nós temos uma “filosofia de vida”, um jeito de viver e um comportamento próprio, um modo de ser.  

“A filosofia é uma maneira de reaprender a ver o mundo”. (Merleau-Ponty, filósofo francês)

Bibliografia: 
BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no mundo. 9. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998.
DEWEY, John. Vida e Educação. Trad. Anísio Teixeira. São Paulo:Companhia Editora Nacional, 1959.
TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo: Ática, 1995.

Sites: 

Entrevista: Michel Onfray


"Deus está nu"
O filósofo francês mais lido da atualidade
diz que as três grandes religiões monoteístas
vendem ilusões e devem ser desmascaradas
como o rei da fábula de Andersen

André Fontenelle
Em um tempo em que a religiosidade está em alta, surpreende o livro que se encontra no topo da lista dos mais vendidos na França desde o mês passado, à frente até das biografias de João Paulo II: Tratado de Ateologia. Escrita pelo filósofo mais popular da França na atualidade, Michel Onfray, de 46 anos, a obra é um ataque pesado ao que o autor classifica como "os três grandes monoteísmos". Segundo Onfray, por trás do discurso pacifista e amoroso, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo pregam na verdade a destruição de tudo o que represente liberdade e prazer: "Odeiam o corpo, os desejos, a sexualidade, as mulheres, a inteligência e todos os livros, exceto um". Essas religiões, afirma o filósofo, exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e conformista em nome de um paraíso fictício depois da morte.
Para defender essa argumentação, Onfray valeu-se de uma análise detalhada dos textos sagrados, cujas contradições aponta ao longo de todo o livro, e do legado de outros filósofos, como o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que proclamou, em uma célebre expressão, a "morte de Deus". O filósofo escreve em linguagem acessível, a mesma que emprega ao lecionar na cidade de Caen, no norte da França. Ali criou uma "universidade popular" que atrai milhares de pessoas a palestras diárias e gratuitas sobre filosofia, artes e política. Gravadas pela rádio pública France Culture, as aulas de Onfray são sucesso de audiência. Os fãs o consideram um sucessor de Michel Foucault (1926-1984), o mais influente filósofo francês do século passado. Em seus livros, Onfray propõe o que chama de "projeto hedonista ético", em que defende o direito do ser humano ao prazer. Uma de suas obras, A Escultura de Si, ganhou em 1993 o Prêmio Médicis, o mais importante da França para jovens autores. Onfray também tem detratores, que o acusam de repetir idéias ultrapassadas. Em dois meses seu Tratado vendeu 150.000 exemplares. De seu escritório em Argentan, Onfray concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Veja – Em sua opinião, só o ateu é verdadeiramente livre?Onfray – Só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana. Deus pressupõe a existência de uma providência divina, o que nega a possibilidade de escolher o próprio destino e inventar a própria existência. Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar. A liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia. Ora, o princípio fundamental do Deus do cristianismo, do judaísmo e do Islã é um entrave e um inibidor da autonomia do homem.
Veja – A que o senhor atribui o sucesso de seu livro num momento em que há tanta discussão sobre religiosidade?
Onfray – Acho que muitos franceses esperavam uma declaração claramente atéia. As primeiras páginas de jornais e as capas de revistas sobre o retorno da religiosidade, a polêmica sobre o direito de usar ou não o véu muçulmano na escola leiga, a oposição maniqueísta entre um eixo do bem judeo-cristão e um eixo do mal muçulmano, a obrigação de escolher um lado entre George W. Bush e Osama bin Laden, a religiosidade dos políticos exposta na imprensa, o crescimento do Islã nos subúrbios franceses, tudo isso contribuiu para uma presença monoteísta forte no primeiro plano da mídia. Meu livro provavelmente funciona como um antídoto a esse estado de coisas, pelo menos na França. Ele ainda está sendo traduzido para outros idiomas.  
para ver entrevista completa acesse o link http://veja.abril.com.br/250505/entrevista.html 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Visagismo

arte_visagismo_rosto_estetica_cabeloO visagismo é um termo que deriva do francês visage, que traduzido significa “para o rosto”. Essa técnica consiste em aplicar fundamentos da beleza para criar uma imagem pessoal adequada à personalidade do indivíduo, analisando os componentes do seu rosto.
A técnica do visagismo oferece uma direção aos profissionais da área da beleza (cabeleireiros, maquiadores, esteticistas), indicando todas as possibilidades de correções adaptáveis ao cliente, ou seja, pela geometria é possível obter a melhor solução em cores, colorações e até mesmo na maquiagem. A filosofia do visagismo baseia-se em acentuar o que é belo e disfarçar o que não é.

Alguns focos do visagismo que devem adaptar-se a uma avaliação do cliente:

• Tipo físico
• Tipo cromático
• Formato do rosto
• Estrutura do fio de cabelo (e suas possibilidades)
• Testar cortes e cores em modelos
• Experiência comprovada dos assessores (auxiliares)

A importância do visagismo na escolha do penteado

O visagismo pode contribuir para um penteado ideal, de acordo com o tipo de rosto, dando equilíbrio e harmonia às formas de cada perfil. Na análise do perfil é levado em conta o estilo e personalidade do cliente.

Dicas sobre visagismo

Avaliação do formato do rosto visualizando o excesso. Para uma melhor análise divida o rosto em três camadas:

• Nascente do cabelo até a sobrancelha.
• Da linha da sobrancelha até a ponta do nariz.
• Da ponta do nariz até a ponta do queixo.

Um rosto simetricamente perfeito possui em cada camada aproximadamente 7,5cm. Fora desse padrão, sugere-se um penteado personalizado para cada tipo de rosto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Questionando Freud-Michel Onfray

EscritorFreud é conhecidíssimo. Virou lugar-comum o bordão “Freud explica…”, e todos já ouviram falar no austríaco esquisitão (deve ser algo na água que faz os austríacos serem meio birutas). Alguns acham que freud é um gênio, outros que nem tanto, que ele foi superado pelos seus discípulos. Só que agora, Michel Onfray, autor do Tratado de Ateologia, chega chutando o pau da barraca e mete os dois pés no peito dos adoradores do velhinho do charuto. Para ele, Freud não passa de um charlatão, mentiroso, fracassado e defensor de regimes totalitários. Só não chamou de bobo, feio e chato, porque aí era demais (ou não).
Freud era um médico mediano. Teve a “brilhante” idéia de ministrar cocaína aos seus pacientes, escrevendo 3 artigos onde defendia o uso do referido alcalóide como medicamento. O mais significativo de todos é o seu breve artigo, publicado em janeiro de 1885, “Uma contribuição para o conhecimento do efeito da cocaína”. Infelizmente, Freud cometeu um pequenino erro. Um errinho de nada. Ele apenas prescreveu uma dose de cocaína a uma de suas pacientes. E isso foi fatal para ela. A paciente morreu e Freud largou de mão de usar medicamentos, achando que poderia-se tratar pacientes sem nenhum tipo de droga. A bem da verdade, o próprio Freud curtia o uso da cocaína, também, mas deixemos isso de lado (maiores informações AQUI). A partir da morte da paciente, surge a Psicanálise que, ao meu ver, é tão científica quanto tarot, astrologia ou jogada de búzios.

leia mais em : ceticismo.net/2010/04/29/livro-de-michel-onfray-acusa-freud-e-charlatanismo/
* Shirley Rabelo