terça-feira, 24 de abril de 2012

Mito, definição

Segundo Mircea Eliade, a tentativa de definir mito é a seguinte, “o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares....o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...”
O mito só fala daquilo que realmente aconteceu do que se manifestou, sendo as suas personagens principais seres sobrenaturais, conhecidos devido aquilo que fizeram no tempo dos primordios. Os mitos revelam a sua actividade criadora e mostram a “sobrenaturalidade” ou a sacralidade das suas obras. Em suma os mitos revelam e descrevem as diversas e frequentemente dramáticas eclosões do sagrado ou sobrenatural nomundo. É está “intormição” ou eclosão do sagrado(sobrenatural), que funda, que dá origem ao mundo tal como ele é hoje. Sendo também graças à intervenção de seres sobrenaturais que o homem é o que é hoje.

Ainda segundo Mircea Eliade, “o mito é considerado como uma história sagrada, e portanto uma história verdadeira, porque se refere sempre a realidades. O mito cosmogónico é verdadeiro porque a existência do mundo está aí para o provar, o mito da origem da morte é também verdadeiro porque a mortalidade do homem prova-o...e pelo facto de o mito relatar as gestas dos seres sobrenaturais e manifestações dos seus poderes sagrados, ele torna-se o modelo exemplar de todas as actividades humanas significativas”.

Mircea Eliade, Aspectos do Mito, pág.13
http://psicoforum.br.tripod.com/index/artigos/mito1.htm

O mito é o nada que é tudo

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo –

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo

Este que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos braços.

Por não ter vindo foi vindo

E nos creou

Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá-la decorre

De nada, morre.

(Fernando Pessoa )

Mito, arte, realidade


O mito é o nada que é tudo, diz o primeiro verso do poema dedicado a Ulisses por Fernando Pessoa e impresso no único livro que o poeta viu publicado em vida, Mensagem – o mesmo onde se lê a mais conhecida passagem lembrando que tudo vale a pena se a alma não é pequena. O mito é uma forma do sentido. Uma das primeiras formas do primeiro sentido, da primeira grande narrativa que o homem se deu. A definição aristotélica do homem como um animal político é apressada ou secundária (ou nunca foi bem entendida). O homem é, antes de mais nada, um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. Um animal que se conta várias histórias e a história da política é apenas uma entre elas e não a mais importante.” Estas são as palavras com que o curador do Masp, Roberto Teixeira Coelho, apresenta a exposição A arte do Mito.

2 comentários:

  1. Shirley, o mais interessante do mito, é que as pessoas acreditavam no que as outras (dotadas para isso, para contar histórias) diziam. Nossa vida é sempre cercada de mitos do senso comum: passar creme dental em queimadura alivia; não podemos misturar manga com leite; quando o bebê está soluçando, é só colocar uma linha vermelha na testa que o soluço para. E esses mitos, crenças, vão passando de geração a geração.

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  2. Shirley, 2º o texto de Filosofia e Educação: "Um mito é uma narrativa tradicional com carácter explicativo e/ou simbólico, profundamente relacionado com uma dada cultura e/ou religião. O mito procura explicar os principais acontecimentos da vida, o fenómenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis (todas elas são criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade.

    A explicação mítica é contrária à explicação filosófica. A Filosofia procura, através de discussões, reflexões e argumentos, saber e explicar a realidade com razão e lógica enquanto que o mito não explica racionalmente a realidade, procura interpretá-la a partir de lendas e de histórias sagradas, não tendo quaisquer argumentos para suportar a sua interpretação."

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